Você conhece? - Literatura Brasileira | Romantismo



Bestsellers, #1 The New York Times, The New Novel by GG, livro em inglês, Depository Book, Amazon, Wizard, Hilpro, CCAA. Tudo isso é muito bom, mas e a nossa literatura onde fica? Você conhece, ou acha que conhece, ou faz parte dos grupos de alienados - desculpa se lhe ofendo - que despreza a própria literatura e suas raízes? Se você fizer parte deste último grupo espero convencer-lhe até o fim desse post. Mas vamos à uma rápida aula de história e literatura.

Quando o Brasil foi achado pelos portugueses em 1500, a Europa estava na fase literária do Classicismo e deu-se início ao Quinhetismo no Brasil - que é mais uma espécie de fase de transição.Temos então o Barroco, o Arcadismo - uma das minhas fases literárias preferidas com seu maravilhoso Carpe Diem - e o então, o  Romantismo. Na minha opinião os vários clássicos incríveis são frutos dessa fase. Logo após o Realismo, Simbolismo, Naturalismo e Modernismo - se errei a ordem ou esqueci de algum perdoem-me e deixem aí nos comentários.

No Romantismo há um grande destaque da poesia e da prosa, a qual focarei mais. Temos escritores incríveis e com um talento inacreditável em nosso Brasil, admito que sou uma grande fã da literatura estrangeira, principalmente quando falam de Literatura Britânica, mas ao ler algum desses livros como paradidáticos, ou não, me apaixonei. Nessa fase do século XVIII ao XIX, temos no Brasil como escritores de prosa, José de Alencar, Álvares de Azevedo, Joaquim Manuel Macedo - autor de A Moreninha livro que iniciou o Romantismo em prosa no Brasil -, Martins Pena, Bernardo Guimarães e muitos outros.

Vamos aos livros.

Moreninha - Joaquim Manuel Macedo
Pus essa versão porque já li outros livros clássicos pela Moderna e são ótimos pois vêm com notas de rodapé que auxiliam muito na leitura, mas se você tiver outra editora que lhe agrade mais, fique a vontade. O romance A Moreninha conta a história de amor entre Augusto e D. Carolina (a moreninha). Tudo começa quando Augusto, Leopoldo e Fabrício são convidados por Filipe para passar o feriado de Sant’Ana na casa de sua avó. Os quatro amigos estudantes de medicina vão para a Ilha passar o feriado e lá encontram D. Ana, a anfitriã, duas amigas, a irmã de Filipe, D. Carolina e suas primas Joana e Joaquina. Antes de partirem Filipe havia feito uma aposta com Augusto: se este voltasse da Ilha sem ter se apaixonado verdadeiramente por uma das meninas, Filipe escreveria um romance por ter duvidado. Caso se apaixonasse, Augusto é quem deveria escrevê-lo. 
Augusto era um jovem namorador e inconstante no amor. Fabrício revela a personalidade do amigo a todos num jantar, o que faz Augusto ser desprezado pelas moças, menos por Carolina. Sentindo-se sozinho, Augusto revela a D. Ana, em uma conversa pela Ilha, que sua inconstância no amor tem a ver com as desilusões amorosas que já viveu e conta um episódio que lhe aconteceu na infância. Em uma viagem com a família, Augusto apaixonou-se por uma menina com quem brincara na praia. Ele e a menina ajudaram um homem moribundo e, como forma de agradecimento, o homem deu a Augusto um botão de esmeralda envolvido numa fita branca e deu a menina o camafeu de Augusto envolvido numa fita verde. Essa era a única lembrança que tinha da menina, pois não havia lhe perguntado nem o nome. 
O fim de semana termina e os jovens retornam para os estudos, mas Augusto se vê com saudades de Carolina e retorna a Ilha para encontra-la. O pai de Augusto, achando que isso estava atrapalhando seus estudos, proíbe o filho de visitar Carolina. Depois de um tempo distantes, Augusto volta a Ilha para se declarar a Carolina. Mas ela o repreende por estar quebrando a promessa feita a uma garotinha há anos atrás. Mas como Carolina sabia? D. Ana poderia ter contado a história, contudo ela não sabia da promessa feita, como então Carolina conhece tão o bem o passo de Augusto? Eis aí um mistério para você descobrir.
A Luneta Mágica - Joaquim Manoel Macedo
Outra versão muito boa para ler clássicos são os da editora Martin Clare (li Dom Casmurro e Helena pela versão desta editora, livros do Realismo que falarei no próximo post). 
Se engana aquele pensa que o Romantismo só se refere ao Romance Romântico. A Luneta Mágica é considerado a primeira obra de fantasia brasileira A obra foge do tom romântico e tem uma conotação maior de fábula com lição de moral. De forma crítica e bem humorada ele faz um retrato do Brasil no final do segundo império, mais precisamente da cidade do Rio de Janeiro. Em A Luneta Mágica, Joaquim Manuel discorre sobre o bem e o mal (maniqueísmo) e como ele faz parte das pessoas. A trama é contada por um narrador-personagem, Simplício, que sofre da chamada miopia física, que não permite que ele enxergue nada que vá além de duas polegadas, sendo quase cego, e sofre também de miopia moral, que faz com que ele não entenda as ideias alheias e a intenção das pessoas, considerado um parvo (inocente, bobo). 
Simplício, rapaz que ficou órfão aos 12 anos de idade, e mora com Américo, que administra sua herança, a tia Domingas, mulher religiosa e devotada, e com a prima Anica. Certo dia ele é chamado para participar de um júri onde conhece Sr. Nunes, quem o indica um gravador de vidros chamado Reis e que poderia ajudar com seu problema de miopia. Chegando na loja de Reis, este tenta fazer as mais variadas lentes de todos os graus mas nenhuma serve para Simplício. Reis diz para Simplício procurar um mágico Armênio que ele mesmo havia trazido da Europa para trabalhar na sua oficina e que poderia ajudá-lo. Simplício tinha ânsia de enxergar e vai ao encontro do mágico. Depois de um ritual o Armênio entrega ao míope uma luneta com a qual ele poderia enxergar agora. Mas há uma advertência: ele não deve fixar a luneta por mais de três minutos sobre nenhum objeto ou pessoa, se não acabaria vendo o mal delas, e caso fixasse por até 13 minutos ele veria seu futuro e a luneta se destruiria automaticamente.
Contudo Simplício quebra a regra e começa a ver o mal em todas as pessoas, contudo a luneta quebra antes que ele possa ver seu futuro. Depois ele volta a Reis e Armênio reclamando da lente e recebe outra, a do bem, e vê a bondade em todas as pessoas, entretanto se apaixona por várias mulheres e acaba sendo enganado. Outra vez frustrado ele decide quebrar a luneta novamente. Simplício sobe no corcovado onde decide ver a cidade do Rio de Janeiro e depois se suicidar. Mas na hora em que ele vai se jogar aparece Reis e o Armênio, que explicam que todos possuem o bem e o mal dentro de si, e que a humanidade é imperfeita. Armênio lhe entrega a última luneta, dessa vez a do bom senso. 
Uma obra com um quê fantástico e filosófico, uma ótima leitura para os fãs de fantasia.

José de Alencar e seus Perfis de Mulher.
Finalmente chegamos ao meu escritor favorito do Romantismo. José de Alencar escreveu as maiores obras dessa época, inclusive escreveu uma espécie de Trilogia falando sobre perfis de mulher daquela época, eles são respectivamente: Diva, Lucíola e Senhora. O último é a obra mais madura de Alencar e particularmente minha preferida. Diva conta sobre Emília, bela e rica filha mimada de um capitalista carioca fica dividida e confusa frente ao amor de Augusto. Augusto e Emília ficam assim presos em jogos de amor, amizade e desprezo que são por vezes infantis e outras humilhantes. Augusto se declara, Emília diz não o amar. Por fim Augusto renega seu amor, Emília declara também amar, O romance que segue ao pé da letra o estilo folhetim: heróis perfeitos, um obstáculo para o amor (a dúvida de Emília) e um final que se decide apenas no último instante.
Lucíola, conta a história de Lúcia e Paulo, este foi morar no Rio de Janeiro para estudar Direito e aquela era uma cortesã da elite. Paulo ao vê-la, mesmo sabendo que é uma prostituta, apaixona-se e quer tira-la desse mundo. Contudo Lúcia não se vê digna desse amor e após muita relutância casa-se com Paulo, contudo ele começará a suspeitar da fidelidade de Lúcia pois o passado ainda atormenta-o. Lúcia também sente o fato dele nunca ter apresentado-a à sua família. Então cria-se um certo ressentimento por parte dos dois até que Lucíola deixa Paulo e você pode saberá o fim dessa trama ao ler o livros, só aviso-lhe que, se for um leitor sensível, lágrimas rolarão.

E finalmente, Senhora! Sinceramente, esse livro precisava de um post só dele, mas vamos à uma versão resumida - infelizmente - sobre a magnífica história da linda Aurélia Camargo e Fernando Seixas. Bom, José de Alencar faz um enorme crítica ao casamento arranjado e por interesse no dote da noiva. Aurélia era uma moça pobre que aos dezenove anos recebe uma herança do tio falecido. Desde então, se torna a rainha dos salões, a qual ninguém nunca ousou disputar-lhe o cetro e sua fila de pretendentes aumenta ainda mais. Mas chega à capital do Brasil do século XIX, Fernando Seixas um galante solteiro que vive de aparências, mas ao ver Aurélia ele fica chocado, pois depois de tantos anos os amantes do passado finalmente se encontraram. Aurélia no dia seguinte pede a Lemos que vá a casa de Seixas e diga que tem uma moça muito rica, com um dote de 200.000 mil contos-de-réis, mas que ele só poderia vê-la quando concordasse. Seixas movido por sua ambição aceita e ao saber que é Aurélia é a noiva prostra-se aos pés dela implorando perdão pelo passado e dizendo que a ama, mas a mesma, em sua vingança, diz que ele é só um objeto dela para a sociedade e que ele foi comprado. E vivem então por meses num casamento de aparências, enquanto os dois se recusam ao admitir a antiga paixão da adolescência. Angustiante e faz com que você leia o mais rápido possível, sufocando-lhe nos últimos capítulo, mas trazendo um final de deleite após o termino.

E foi isso, espero que tenham gostado e que leiam mais sobre nossa literatura.
Até a próxima,
Dâmaris.

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