O Rei do Inverno - Resenha | por Dâmaris


                          

    "A corneta soltou uma nota clara e fria como eu nunca tinha ouvido. Havia pureza naquela corneta, uma pureza fria e firme como não existia em toda a terra. Soou a primeira vez, soou a segunda, e o segundo toque foi suficiente para fazer parar até os homens nus e fazê-los olhar para leste, de onde viera o som. Eu também olhei. E fiquei deslumbrado. Era como se um novo sol se tivesse levantado naquele dia já chegando ao fim. [...] Mas aquele escudo era segurado por um homem como eu nunca tinha visto antes: um homem magnífico, um homem montado num cavalo magnífico e acompanhado por outros homens como ele. [...] Era o estandarte do urso. A corneta soou uma terceira vez e, de súbito, eu senti que ia viver e comecei a chorar de alegria. Todos os nossos lanceiros choravam e gritavam ao mesmo tempo e a terra estremecia sob os cascos dos cavalos daqueles homens que pareciam deuses e que vinham para nos salvar. Artur tinha, finalmente, chegado."



As Crônicas de Artur, como o nome já explica, trará as histórias de Artur até nós por meio de uma trilogia narrada por Derfel, um dos seus guerreiros mais próximos. A proposta de Bernad Cornwell, escritor do livro em questão, era criar uma história de Artur mais realista, baseada nos poucos fatos históricos, mas fugindo da visão do Artur que tirou a espada de uma rocha. Logo, o livro trás todo o contexto do que acontecia na Britânia em torno do século V, com a invasão dos saxões nas terras britânica, a invasão dos romanos impondo o cristianismo, e a crise que o país vivia por reinos em guerra após a morte do Grande Rei Uther. (Mais a seguir). 

O livro é bem longo, ele conta em torno de 30 anos, por isso não possui uma única problemática e apresenta vários ápices que darão no que chamarei de "O Grande Clímax do Livro". Uma das grandes vantagens do livro - ou desvantagens para alguns por causa de extensão que toma - é que ele é extremamente detalhista, o que nos dá um perfeita visão dos fatos, por exemplo em batalha se é perfeito de visualizar devido a riqueza de detalhes, que ao meu ver torna Cornwell um escritor singular! Indico este livro para todos que gostam de livros épicos e medievais. 

Tudo começa no início quando o Grande Rei Uther morre, e com o nascimento do seu herdeiro digno para assumir: Mordred. O que leva o reino a revoltar-se afinal, Mordred é um bebê e nasceu aleijado de um pé, muitos então começam a se dividir levando a um certo caos e ai entra Derfel um saxão que foi salvo ainda bebê e criado por Merlin, narrando sua infância que presencia todos os fatos. A confusão no reino faz com que todos comecem a se perguntar por Artur, o bastardo de Uther, mas o maior guerreiro que a Britânia já havia visto. E de fato ele vem como protetor do reino, e com sua chegada o surgimentos dos personagens clássicos de sua história: Morgana sua irmã druída, a Bela Guinevere e Lancelot. 

Foi uma das melhores versões de Artut que já li, além da capa toda trabalhada e o relevo de urso, símbolo do nosso personagem principal. A trilogia continua com O Inimigo de Deus e O Rei do Inverno, que seguem abaixo :)

                                

Até a próxima, 
Dâm. 

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